Publicado: 5 de janeiro de 2018 em:

Velhos Tempos de Tom Platz

Memórias da gaiola de Agachamento – Tom  Platz  (The Golden Eagle)

Fala, Ferreiros. Hoje trago uma lembrança melancólica do grande Tom Platz, que irá dar um curso no Brasil em breve. Espero que gostem da leitura e que sejam remetidos a essa época de ouro do fisiculturismo  com o relato dessa lenda viva, dono das MELHORES PERNAS da HISTÓRIA DO FISICULTURISMO.


“Eu comecei a me dedicar seriamente ao treino intenso, com o uso frequente do agachamento, no ano de 1970, quando era instrutor na American Health Spa, em Kansas City, USA. Me diziam que era ruim para os joelhos, ruim para as costas, e aumentavam os glúteos. Mas algo dentro de mim dizia que todos estavam errados, e eu insisti, e acabei me especializando nesse tipo de exercício. Eu lembro como se fosse ontem. Peguei uma barra já olímpica, e coloquei apenas 30 kgs de peso, e fiz 10 repetições. Um grupo de alunos mais antigos logo criticou o exercício.

Quando me mudei para Detroit, junto com meus pais, em 1973, continuei agachando nas instalações do American Health Spa. Esse foi o primeiro local em que comecei a usar duas anilhas de 20 kgs de cada lado, totalizando 100 kgs com a barra. Lá, alguns caras grandes me encorajavam a continuar, vendo o que eu fazia com apenas 17 anos. Eles ficavam impressionados em como eu agachava profundamente, e com a rapidez em que eu subia. Comecei a prestar atenção no movimento dos powerlifters, e notei os acessórios que utilizavam, como sapatos especiais. Por alguma razão, inventei de usar umas botas do exército antigas, que eram do meu pai. Colocava três pares de meia para que a bota ficasse apertada,e isso me ajudava muito no movimento. Nessa época, ouvi sobre uma academia realmente hardcore, chamada Armentos, onde todos os bodybuilders e powerlifters de verdade estavam treinando. A primeira vez que visitei essa academia, fiquei assustado e entusiasmado. Uma academia de verdade, espaçosa, com muitos pesos, como a que eu via nas revistas, a Gold´s. Bob Morris, um powerlifter, começou a me orientar, e montou minha rotina de treino. Antes disso acontecer, eu agachava três vezes por semana, 10 a 15 repetições, 5 a 8 séries. Bob me disse para agachar apenas 2 vezes por semana, um dia pesado (5 a 7 séries – 6 a 8 reps) e um dia leve (3 a 4 séries – 15 a 20 reps). Algumas vezes, Bob fazia com eu agachasse em 5 séries de 5 reps, ou 3 de 3 reps. Nós fazíamos juntos, nas segundas e sextas.

Logo, sob a orientação de Bob, estava fazendo o exercício com 3 anilhas de 20 kgs de cada lado, para 3 a 5 repetições. Então um dia, depois de 6 meses de treino na Armentos, eu consegui agachar com 4 anilhas de cada lado da barra (180 kgs), e uma repetição. Bob me olhou, sorriu, e disse: “acha que eu consigo mais repetições do que você ?” Então ele agachou, e executou 3 ou 4 reps. Nesse ritmo, com mais duas semanas, eu já estava fazendo fazendo os 180 kgs em 10 reps ! Nesse momento, um bodybuilder chamado Ferrel, me aconselhou a usar, também, o hack-squat, mas de um modo diferente do agachamento, com as pernas mais juntas, mas os pés apontando para fora, como se fosse um pato. Eu fazia cerca de 5 séries no hack, de 20 a 6 repetições, aumentando as cargas em cada série, e chagando a exaustão em cada uma delas. Também comecei a fazer movimentos isométricos. Nas últimas repetições, quando mal conseguia fazer alguma coisa, eu apenas tentava manter a perna travada, segurando o peso aonde estivesse, e recuperando o fôlego, até poder completar a repetição. Com isso, minhas pernas começaram a crescer com rapidez, e a qualidade, finalmente, começou a aparecer.

Eu me recordo de quando, nesse época e ainda vivendo com minha família, meu irmão, minha irmã e eu, estávamos sentados no banco de trás do carro do meu pai, e meus irmão reclamaram que não tinha mais espaço para os três por causa das minhas pernas. Minha mãe se virou do banco da frente, olhou para mim e disse “você gosta disso, não gosta ?”, e eu respondi “adoro”. Ela apenas balançou a cabeça com um sorriso.

Eu sonhava com a Califórnia, e logo que acabei a faculdade, mudei para lá. As fotos que Artie Zeller tirava de Dave Draper, eram minha inspiração. E principalmente aquela em que Draper segurava uma garota em cada braço, e com outras abraçadas nas pernas dele, e toda a praia, com suas palmeiras, no fundo. Até hoje guardo uma fotos dessas emoldurada no meu escritório. E sempre agradeço aos dois, valeu Artie, valeu Dave!
Logo que cheguei na Gold´s Gym de lá, em 1978, fiquei chocado em ver que ninguém agachava. Na verdade, eles mantinham os bancos velhos e as gaiolas de agachamento em um canto escuro e sujo. Comecei a usar o equipamento, e procurava trazê-los para o centro da academia. Como no meu início, apareceram alguns professores que recomendavam que abandonasse o agachamento, e eu olhava e ria, e perguntava se eles estavam falando sério. E continuava fazendo meus agachamentos, e com mais vontade ainda.

E foi como se o agachamento tivesse se tornado um esporte separado do bodybuilding. Vários atletas voltaram a fazer,e as vezes ficávamos em uma roda, 8 a 10 de nós, disputando quem fazia mais pesado, ou mais repetições. Cada treino desses eu sentia como se fosse morrer, tal era a intensidade dessa nossa disputa.

Antes desses treinos, eu ficava quieto em um canto, me concentrando, e quase sempre saía vitorioso da brincadeira. Nos anos 80, passei a agachar apenas duas vezes por mês, com a intenção de que minhas pernas não crescessem tanto, e eu conseguisse manter meu físico mais simétrico. Mas não adiantou, a aconteceu justamente o inverso, porque elas começaram a aumentar mais ainda, e com muito mais qualidade. Chegava a fazer 200 kgs com 40 repetições, 250 em 25, e 150 para 50 repetições, e isso com um peso corporal de 90 a 100 kgs. Quando fico recordando essas coisas, fico emocionado, e vejo como era boa essa época da minha vida.”

Tom Platz

Gabriel Ortiz

Gabriel Ortiz, fisiculturista natural lifetime, ou seja, nunca utilizou esteróides anabolizantes ou doping pela WADA. Compete no Brasil e Estados Unidos. Formado em Educação Física, atua como treinador em Brasília, já preparou e prepara vários atletas, inclusive premiados com o título 'Pro Card' pela ANBF em Dez/16 nos Estados Unidos e musa 'Diva Fitness' em 2017 pela WBFF. Redator e colunista desde 2006, cunhou o termo "Preconceito Muscular".

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4 Comentários em "Velhos Tempos de Tom Platz"

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Gabriel
Visitante

Foda demais.

jean amorim
Visitante

muito bom..sempre trazendo boas memorias para os amantes do ferro, tom plast sofria pelo agachamento imagina agora ….

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